Privatização da Ceasa pode acontecer ainda este ano

A Central Estadual de Abastecimento (Ceasa) em Maceió pode ser privatizada ainda este ano, o que gerou preocupação entre seus permissionários.

A proposta de privatização tramita na Assembleia Legislativa, e os permissionários cobram informações básicas sobre o projeto. O Projeto de Lei nº 2123/2026, se aprovado, poderá permitir a concessão de uso do complexo a iniciativas privadas.

Os permissionários da Ceasa, que incluem cerca de 500 comerciantes e empregam diretamente mais de 5 mil pessoas, organizam protestos para exigir que o governo explique as possíveis consequências dessa privatização.

A Ceasa é uma importante porta de entrada de alimentos para Alagoas, e a privatização pode elevar os custos para o consumidor e afetar toda a cadeia de abastecimento.

Protestos dos permissionários

Na manhã de ontem, os permissionários da Central Estadual de Abastecimento (Ceasa) realizaram uma manifestação em Maceió para expressar suas preocupações em relação ao projeto de privatização do órgão. Eles pedem mais transparência do governo estadual sobre o andamento do projeto que está em tramitação na Assembleia Legislativa. Os manifestantes se mostram apreensivos pela falta de informações acerca das possíveis mudanças que a privatização da Ceasa poderá gerar.

Atualmente, a Ceasa conta com 500 permissionários, entre empresas de diferentes portes, gerando mais de 5 mil empregos diretos e diversos outros indiretos. Para os manifestantes, a Ceasa simboliza não apenas um espaço de trabalho, mas também um meio de sustento e dignidade para muitas famílias.

Impactos da privatização na economia local

A proposta de privatização da Ceasa possui potencial para afetar toda a cadeia produtiva de abastecimento e alimentação, o que poderia resultar em um aumento significativo dos preços dos produtos para os consumidores. Essa privatização representa um risco não apenas aos empregos diretos, mas também pode impactar os prestadores de serviços e o setor informal que depende da convivialidade gerada na Ceasa.

O Projeto de Lei nº 2123/2026, que autoriza a concessão de uso oneroso do complexo por um período de 30 anos, já está em tramitação na Assembleia. Nesse contexto, os permissionários expressam seu desejo por modernização e melhorias, mas sem abrir mão da gestão pública do espaço. Para eles, modernizar não deve significar privatizar.

A comissão de permissionários entregou ao governo um manifesto demandando diálogo e transparência no processo de decisão. Eles solicitaram que as autoridades envolvidas apresentem estudos detalhados e considerem o impacto social dessa concessão. Além de pedir melhorias, enfatizam a importância de garantir a manutenção da Ceasa como um bem público com função social.

Reunião com o Ministério Público em Alagoas

Em uma reunião recente, o procurador-geral de Justiça de Alagoas, Lean Araújo, acolheu representantes da Associação dos Comerciantes da Ceasa de Alagoas (Asconcal) para discutir os desdobramentos da possível privatização da Ceasa. Durante a reunião, os representantes expressaram suas preocupações sobre a falta de justificativas claras e estudos que fundamentem a proposta de concessão.

A Asconcal solicitou ao Ministério Público que verifique a tramitação do projeto e os possíveis impactos da concessão, principalmente no que diz respeito à legislação que possa ser contrariada. A discussão continua, e os comerciantes esperam que seus apelos sejam considerados antes de qualquer decisão que afete o futuro da Ceasa e daqueles que dela dependem.