A concessão do Complexo da Central de Abastecimento de Alagoas (Ceasa/AL) foi debatida em sessão especial da Assembleia Legislativa de Alagoas, em Maceió, no dia 14 de outubro de 2026.
O projeto em discussão, que visa transferir a gestão do complexo à iniciativa privada, gerou preocupações entre comerciantes e permissionários sobre seu impacto econômico e social.
Durante a sessão, o deputado estadual Delegado Leonam questionou a urgência da proposta, defendendo a necessidade de mais diálogo com os envolvidos e a sociedade alagoana antes da votação.

Os representantes da Associação dos Comerciantes da Ceasa manifestaram receios sobre a falta de transparência e sobre possíveis aumentos nos preços dos alimentos resultantes da concessão.
Debate sobre a proposta de concessão
A proposta de concessão da Ceasa, que abrange o Complexo da Central de Abastecimento de Alagoas (Ceasa/AL), localizado em Maceió, foi amplamente discutida durante uma sessão especial na Assembleia Legislativa. O deputado estadual Delegado Leonam (União Brasil) foi o responsável pela iniciativa que trouxe à tona as preocupações de comerciantes e entidades ligadas ao setor sobre os possíveis efeitos da concessão, especialmente quanto à permanência dos atuais permissionários e a possível elevação dos preços dos alimentos.
O foco principal do debate foi o Projeto de Lei Ordinária nº 2123/2026, que visa autorizar o Governo de Alagoas a conceder o uso oneroso do complexo à iniciativa privada. A proposta prevê um contrato inicial de 30 anos, com a possibilidade de prorrogação por igual período, totalizando até 60 anos, cabendo à empresa vencedora da licitação a responsabilidade pela operação, manutenção e exploração econômica do espaço.
Preocupações dos comerciantes e permissionários
Durante a sessão, o deputado Leonam levantou questões sobre a tramitação rápida desse projeto, especialmente em um momento crítico do ciclo governamental, e defendeu a necessidade de mais diálogo entre as partes interessadas antes da votação final. Ele destacou que uma decisão tão importante deve ser precedida de uma discussão cuidadosa com a população alagoana e os envolvidos.
Os comerciantes também expressaram suas ansiedades em relação às implicações financeiras que a concessão pode provocar. Márcio Rocha, advogado e representante da Associação dos Comerciantes da Ceasa (Asconcal), indicou que a entidade encontrou sete pontos no projeto que precisam ser mais bem analisados. Ele criticou a falta de audiência pública e a ausência de notificações formais aos empresários para que participassem das discussões. Rocha advertiu que a aprovação do projeto na forma que está pode trazer um aumento substancial nos preços dos produtos comercializados na Ceasa.
A permissionária Jaciara Mascarenhas ressaltou ainda a falta de transparência nas discussões sobre a concessão da Ceasa. Muitos permissionários já fazem contribuições financeiras para a manutenção do complexo, e a iminente mudança levanta preocupações sobre novas cobranças e uma potencial alteração nas regras de funcionamento do local, o que pode resultar em perdas significativas para os comerciantes.
Demandas por diálogo e transparência
O clima de incerteza entre os comerciantes é palpável, com muitos expressando temores de que a concessão da Ceasa resulte em perdas de direitos adquiridos ao longo de décadas de trabalho no complexo. Francisco Lau, diretor de comunicação da Asconcal, enfatizou que a notícia da privatização os pegou de surpresa, e reforçou que isso representa uma retirada abrupta de direitos que pode culminar em fechamento de empresas e demissões, impactando negativamente a população que depende dos produtos comercializados na Ceasa.
Por fim, o deputado Leonam fez um apelo aos permissionários para que estivessem presentes na sessão plenária marcada para o dia 15, onde a votação do projeto está programada. A expectativa é que essa mobilização da classe ajude a sensibilizar os parlamentares sobre os impactos significativos da concessão da Ceasa.